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Conferência de Madrid

Emoções fortes. De uma forma simples e muito sintética este pode ser o resumo da Conferência Regional de Madrid, que decorreu a 24 e 25 de Janeiro num hotel da capital espanhola. Muitos aplausos, lágrimas, canções, entusiasmo e acima de tudo muita gente. Foram 1400 pessoas, das quais 160 de Portugal e 120 das Ilhas Canárias. Foi uma afluência superior às das outras conferências regionais, que excedeu as expectativas iniciais da organização de 700 pessoas. Entre os presentes comentava-se que há muito tempo que não estavam num evento bahá’í com tanta gente e com uma dimensão tão grande. Mas vamos às emoções fortes.

 

Muitos aplausos

Tendo sido convocada como uma conferência de lançamento de dinâmicas de crescimento e de consolidação de entusiasmos os aplausos invadiam o salão de conferências a cada cinco minutos. Alegria por rever tantos amigos, e conhecer outros tantos, alegria por estar talvez pela primeira vez num evento com tantos bahá’ís, alegria pela certeza do caminho, alegria numa altura de crise mundial em que a comunidade bahá’í tem conseguido dar uma resposta positiva e de optimismo. Na sessão de Domingo, de balanço dos planos traçados para cada agrupamento, os aplausos quase deitaram a sala abaixo. Portugal, Ilhas Canárias e as três regiões de Espanha (Este, Norte e Sul) apresentaram metas ambiciosas de crescimento, para que sejam atingidos os números pedidos pela Casa Universal de Justiça. No caso de Portugal, e para além do Algarve, que já atingiu a categoria A, espera-se que os agrupamentos do Distrito de Santarém, Lisboa e Península de Setúbal e do Norte Litoral lancem os respectivos Planos Intensivos de Crescimento até ao Rídván 2009, e assim alcancem os objectivos. O Conselheiro Juan Mora, representante da Casa Universal de Justiça, ficou impressionado com esta possibilidade e, bem-humorado, sugeriu que Portugal, ao atingir três agrupamentos A, devia começar a rever as metas e apontar para um quarto agrupamento, já que ainda faltam mais de dois anos para o fim do Plano de Cinco Anos. Desta forma, para além do que já se vive no Algarve, é de esperar um crescimento nunca antes visto das quatro actividades básicas no Distrito de Santarém, Lisboa e Península de Setúbal e no Norte Litoral. Aulas para Crianças, Reuniões Devocionais, Visitas a Casa, Círculos de Estudos, Grupos de Pré-Jovens e Equipas de Ensino vão ajudar a colocar a Religião Bahá’í no centro da vida de cada crente e revolucionar os dois agrupamentos prioritários. Os planos foram elaborados em dois workshops com os crentes de cada agrupamento, com a ajuda do Algarve, e cada meta foi decidida caso a caso, e depois apresentada na sessão geral, perante os aplausos de 1400 pessoas.

 

Lágrimas

 

Como em todos os eventos bahá’ís as lágrimas estão sempre presentes. No caso de Madrid a perspectiva de um crescimento do mundo bahá’í como nunca antes foi visto alegrou os corações de todos. Além disso o panorama actual também é animador, como fruto dos trabalhos e esforços realizados nos últimos tempos, tendo Portugal como exemplo o agrupamento do Algarve. O que já foi conseguido é motivo de lágrimas de alegria para todos, como o foram as fotos que na conferência lembraram os crentes, e amigos, de cada agrupamento das Ilhas Canárias, Portugal e Espanha. Particularmente emocionantes foram as referências aos bahá’ís geograficamente mais afastados, como os crentes da Madeira, Açores ou ainda de Ceuta e Melilla, no norte de África. A Conselheira Zoraida García emocionou-se por diversas vezes na sua intervenção, nomeadamente ao recordar Virginia Orbinson, a grande responsável pelo estabelecimento da Religião Bahá’í em Espanha, e os primeiros crentes do país, e apelou para que cada um coloca-se a fé no centro das suas vidas, tal como ela o fez, e garantiu que ninguém se iria arrepender.

 

Canções

 

Como sempre um evento bahá’í não é um evento a sério se não tiver canções, festa e muitas apresentações artísticas. De Madrid ficou no ouvido de todos a alegria de «Regozija-te», escrita e composta para a conferência regional, e a que todos aderiram rapidamente. O coro bahá’í de Espanha também actuou, o que só pode dar alento a Portugal para que tenha também um grupo de vozes. Os jovens portugueses e espanhóis apresentaram também peças de teatro ilustrativas do caminho a seguir pela Religião Bahá’í, e como não podia deixar de ser em Espanha, flamenco e cantares ciganos entusiasmaram também a plateia.

 

Entusiasmo

 

Durante os dois dias da conferência vários crentes foram chamados a nível individual a partilharem a sua experiência nas sessões gerais. O entusiasmo foi a nota comum a todos, desde a jovem cigana com cinco filhos que dá aulas para crianças em sua casa até Kristine Reis, que em Alcochete trabalha a par com a Junta de Freguesia Local para permitir uma educação espiritual na zona ou ainda ao Adib Hashemi, que entusiasmou todos com o projecto de aulas num bairro social no Algarve.  

 

Muitos aplausos, lágrimas, canções, entusiasmo e acima de tudo muita gente. Não é demais repetir. 1400 pessoas estiveram então reunidas em Madrid durante um fim-de-semana, dispostas a mudar o rumo da Península Ibérica, Ilhas Canárias, Madeira e Açores.